Governança torna decisões estratégicas mais seguras - 23/09/2013

A vigilância e a presença dos fundos de pensão na governança corporativa e na saúde das empresas nas quais estão apostando ainda são práticas em construção. Desde 2004, no entanto, quando oficialmente a governança foi implantada no setor, as decisões ganharam mais segurança e o investidor, mais tranquilidade. A intenção é minimizar riscos da gestão, por meio de políticas e controles internos e monitoramento das decisões estratégicas. Especialistas consideram que já há um amadurecimento dessas práticas.

 

"Há uma percepção de que a formalização de processos de decisões estratégicas, o acompanhamento dos controles pelos diversos órgãos de governança das empresas, a própria auditoria interna e externa e a área de gestão de riscos são muito mais determinadas que no passado", avalia Gilberto Souza, sócio e auditor da consultoria em gestão de riscos empresariais e especialista em fundos de pensão da Delloitte, referindo-se a nova estratégia.

 

A preocupação com a governança corresponde à complexidade dos novos negócios e aos desafios assumidos pelos fundos de pensão. Expandir investimentos no exterior está entre as novas metas dos fundos brasileiros, que olham para fora do país com apetite. A primeira aplicação conjunta no exterior já está em formatação.

 

Por conta dos novos desafios, o perfil dos representantes dos fundos no conselho das empresas também elevou de patamar. "São profissionais que hoje têm mestrado e doutorado e atuam como conselheiros não pelo ponto de vista político, mas muito mais pelo ponto de vista de análise estratégica do negócio".

 

Dispostas a desafios lá fora, nove fundos de pensão já anunciaram o aporte de R$ 300 milhões a R$ 400 milhões em ações no mercado externo até fins de 2013. O formato da aplicação já está determinado. Serão quatro fundos locais e cada um vai investir em um fundo gestor estrangeiro, diz Renê Sanda, diretor de investimentos da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

 

Outras fundações se preparam para dar o mesmo passo no próximo ano. A SulAmérica Investimentos selou parceria com a gestora americana Pantheon para estruturar um fundo de private equity, que investirá em participação de empresas fora do país, voltado para fundos de pensão brasileiros. Os aportes serão em companhias americanas, europeias e asiáticas. "Estávamos procurando há algum tempo um parceiro lá fora de olho na demanda dos investidores institucionais brasileiros", diz Marcelo Mello, vice-presidente da SulAmérica Investimentos.

 

Segundo a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), dos R$ 640 bilhões em recursos, as fundações alocam 2,3% em private equity e 0,1% em aplicações no exterior. Pela regulamentação atual, os fundos podem investir até 10% de seu patrimônio fora do país.

 

Data: 23/9/2013

Autor: Rosangela Capozoli

 

 


Fonte: Valor Econômico