Entrevista sobre GOVERNANÇA CORPORATIVA à Revista EMPREENDER S.A. - 26/07/2013

ENTREVISTA DE ADRIANO R. LEGNARI FARIA À REVISTA EMPREENDER SA.:

 

TEMA: Governança Corporativa

 

Após 30 anos como auditor independente, dos quais 16 pela PricewatersouseCoopers e 14 anos como sócio fundador da Attest Brasil Auditores Independentes, Adriano Legnari Faria tem se dedicado também à atividade da Governança Corporativa. Inscrito no Cadastro Nacional dos Auditores Independentes do Brasil e na Comissão de Valores Mobiliários – CVM, Diretor Nacional do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil – IBRACON. No ano de 2009 passou também fazer parte do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, inclusive obtendo o selo de Conselheiro Certificado IBGC, cci, após ter sido aprovado no programa de certificação de Conselheiros e hoje faz parte do seu banco de conselheiros à disposição das empresas que desejarem ter esse profissional certificado. O IBGC, fundado em 1995, é uma organização não governamental sem fins lucrativos, de atuação nacional e internacional e dedicado exclusivamente ao desenvolvimento e disseminação da Governança Corporativa no Brasil. Tem sua sede em São Paulo, 1500 associados pessoas físicas e 230 pessoas jurídicas.

 

Ao longo da sua carreira Adriano Legnari Faria viu os trabalhos de auditoria sofrerem uma mutação muito forte.

 

“No passado não muito distante, os trabalhos de auditoria contábil eram voltados principalmente para a validação de números, onde o auditor obtinha a satisfação em relação aos números relevantes e emitia a sua opinião. Hoje isso mudou muito, pois além de validar os números, o auditor é obrigado a validar o negócio da empresa e, para isso, é necessário entender, não somente sobre o negócio da empresa, mas também o mercado em que seu cliente atua. Nesse momento, ele passa a ser um consultor para esse cliente”.

 

Formado em Ciências Contábeis com pós graduação em administração de empresas, Adriano Legnari Faria já foi palestrante do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo e hoje é representante do Ibracon no Comitê Brasileiro de Normas de Transparência das Empresas de Pequeno e Médio Porte do BNDES.

 

A importância de fazer parte dessas entidades é a obrigatoriedade de se cumprir os programas de educação continuada. Todas essas entidades têm seus programas de educação, inclusive possuem grades de cursos aberto a todos os interessados, além de disponibilizarem materiais específicos sobre as suas áreas de atuação. Recomendo os 7 cadernos de Governança Corporativa, fruto dos trabalhos das comissões constituídas pelo IBGC”.

 

Sobre a Governança Corporativa, ressalta que deve ser encarada como um princípio.

 

Não vejo a Governança Corporativa como uma solução imediata para as empresas ou demais instituições que estejam passando por grandes dificuldades operacionais. Não é possível desviar um cargueiro de grande dimensão e em rota de colisão, em um curto espaço de manobra. Nas empresas também é assim. Para se sair de eventuais dificuldades estruturais, são necessários movimentos lentos que é o caso da Governança Corporativa”.

 

É o que o IBGC conceitua como Governança Corporativa e que está firmado no seu Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa lançado em 2009, ou seja: é um sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre proprietários, conselheiros, diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de Governança Corporativa convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e aumentar o valor da organização, facilitando o seu acesso ao capital e contribuindo para a sua longevidade. O código do IBGC elenca quatro princípios básicos que são: Transparência, Equidade, Prestação de Contas e a Responsabilidade.

 

 O auditor independente e conselheiro certificado pelo IBGC, Adriano Legnari Faria ressalta que a Governança Corporativa é um processo que deve ser iniciado pela mudança cultural. O empresário deve primeiramente acreditar que realmente tem que fazer algo diferente do que é feito hoje em sua organização. Normalmente, o empresário, antes de fazer qualquer mudança, quer ver o resultado futuro, todavia, lhe falta o conhecimento em administração, já que normalmente esses empresários são oriundos das áreas operacionais de produção ou comercial e, não raro, são herdeiros que não conhecem nenhuma das áreas da organização.

 

“Fazendo uma analogia com o ser humano, é quando se está bem de saúde é que é preciso se cuidar: praticar esportes, se alimentar corretamente, dormir bem, não ter maus hábitos como fumar, beber em exagero, etc. Quando se está doente, não há muito que fazer. É remédio amargo e muita reza. Nas empresas temos que ter o mesmo procedimento, ou seja, cuidar quando se está bem”.As empresas devem se preparar para não ficarem doentes. A prescrição é a Governança Corporativa.“Exatamente, nenhuma empresa contrata um profissional que não tenham características saudáveis. Da mesma forma, as empresas se relacionam com o mercado (clientes, funcionários, fornecedores de materiais, serviços e, principalmente, de dinheiro) e se a empresa não estiver saudável, e não basta dizer que é saudável, terá grandes dificuldades”. 

 

As grandes corporações, muitas delas foram pequenas outrora, têm como objetivo, não apenas produzir e vender os seus produtos, mas estão preparadas para serem vendidas ou se associarem com outras em busca de oportunidades. É o que de certa forma ressaltou David Packard, um dos donos da HP em um discurso feito aos seus funcionários quando disse que o verdadeiro motivo para a existência de uma empresa, é a união de pessoas, sejam elas físicas (sócios e funcionários) ou jurídicas (clientes, fornecedores, bancos e até investidores), a fim de atingir alguma meta em conjunto, algo que não conseguiriam fazer separadamente e assim contribuírem para a sociedade.Dentro dessa linha de pensamento, as empresas devem estar em linha com as práticas de governança em relação às demais empresas interessadas em unir forças e nesse momento, não basta discurso e sim comprovar boas práticas de governança.

“Ainda hoje vejo administradores fabricando informações sobre a empresa para, principalmente, obter de recursos financeiros. É perfumar algo que certamente não terá o seu cheiro alterado para melhor. Não há mais investidores despreparados, sejam eles instituições financeiras, grandes fornecedores de produtos e investidores”.

 

Adriano Legnari Faria, ressalta ainda, e não com menor importância, é o aparato que os governos brasileiros possuem para monitorar todas as operações realizadas pelas pessoas físicas e jurídicas.

 

“É sabido por todos que o governo brasileiro possui a melhor tecnologia que existe em todo mundo para o acompanhamento das movimentações financeiras das pessoas e, conseqüentemente, a arrecadação de tributos. Não há mais espaço para a sonegação de impostos com baixo risco”.

 

O mundo corporativo é extremamente dinâmico hoje em dia e as informações são transmitidas numa velocidade jamais vista. Não dá mais para o faz de conta no mundo corporativo.

 

Realmente, o empresário que quer crescer não pode ter como meio a fraude ao fisco ou maquiar informações, bem como não pode se ausentar dos seus negócios, acreditar que não precisa de ajuda de especialistas ou que “se Deus quiser tudo vai dar certo”. É preciso ter práticas de Governança Corporativa. Mãos à obra, inclusive e principalmente, as empresas de pequeno e médio porte”!

 

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Fonte: Attest Brasil